Herculano (Ercolano em italiano moderno) era uma pequena e próspera cidade romana à beira-mar, com cerca de 5 000 habitantes, na Baía de Nápoles, quando o Monte Vesúvio entrou em erupção na tarde de 24 de outubro do ano 79 d.C. A mesma erupção que enterrou Pompeia sob vários metros de cinzas frias soterrou Herculano, quinze quilómetros mais perto do vulcão, sob aproximadamente vinte metros de fluxo piroclástico sobreaquecido — uma avalanche de gás, cinzas e rocha que varreu as ruas a cerca de 500 °C. Os dois mecanismos de soterramento preservaram coisas diferentes, e esse simples facto faz de Herculano a visita arqueológica mais gratificante para a maioria dos viajantes.
As cinzas de Pompeia enterraram móveis, portas, vigas de madeira e alimentos, mas esses materiais orgânicos foram-se decompondo lentamente sob a pedra-pomes fria e seca ao longo dos séculos. O fluxo piroclástico de Herculano carbonizou esses mesmos materiais quase instantaneamente, transformando-os em formas estáveis semelhantes a carvão que sobreviveram substancialmente intactas nos últimos dois mil anos. O resultado é único: em Herculano, caminha por salas romanas com os seus biombos de madeira ainda de pé nas dobradiças, vê uma cama de madeira carbonizada na posição em que foi dormida pela última vez e passa por um balcão de padeiro onde os pães ainda estavam no forno quando a vaga chegou.
A área escavada é pequena — cerca de um quarto da área aberta de Pompeia — e a visita demora duas a três horas, em vez de um dia inteiro. As casas sobrevivem até três andares, enquanto Pompeia preserva sobretudo os rés-do-chão. A Casa di Nettuno e Anfitrite alberga um dos melhores mosaicos de pasta de vidro in situ do mundo romano. Os Abrigos de Barcos ao longo da antiga linha de costa contêm os restos esqueléticos de cerca de trezentos cidadãos que tentaram escapar por mar, descobertos apenas na década de 1980 e expostos onde caíram. A Vila dos Papiros — parcialmente escavada, ainda em grande parte soterrada sob a cidade moderna — produziu a única biblioteca antiga intacta a sobreviver à Antiguidade, atualmente a ser decifrada por técnicas modernas de raios-X e IA.